Sagrada é a Palavra! Tão sagrada que eu gostaria de retirá-la novamente da humanidade terrena, porque lhe falta toda a noção, sim, até mesmo um pressentir da grandeza dessa Palavra! Sinto-me impelido a ocultar protetoramente a Palavra, para que jamais entre em contato com o sacrilégio arrogante ou mesmo com a indiferença destas almas humanas que, em sua inércia espiritual, tornaram-se tão incrivelmente limitadas e, dessa forma, desprovidas de saber em si mesmas.
O que sabem elas ainda da Santidade! Santidade de Deus e também da sua Palavra! É deplorável! Sinto-me impelido a escolher apenas alguns dentre todos os seres humanos, aos quais eu continuarei anunciando a Palavra, mas mesmo esses poucos não chegarão à noção da verdadeira Santidade e, dessa maneira, nem mesmo à sintonização correta com a Palavra!
Assim estou perante vós, ciente de que também os melhores dentre vós nunca me entenderão acertadamente aqui na Terra, nem assimilarão a décima parte do que lhes é transmitido com a minha Palavra. Vós a ouvis, a segurais nas mãos, contudo não explorais seu valor para vós próprios! Vejo como os valores elevados, as indizíveis forças permanecem despercebidos, enquanto lançais mão a coisas que, em relação à Palavra que possuis, não podem ser consideradas nem sequer como o mais ínfimo grão de pó.
Somente quando a alma humana entra no reino da matéria fina, então, gradualmente, ela terá um novo reconhecer de tudo quanto pôde experimentar aqui na Terra.
Mesmo que isso também seja apenas uma sombra da pujante grandeza do acontecimento real, é suficiente para abalar cada alma humana profundamente! Ela mal pode acreditar que lhe foi permitido vivenciar tudo aquilo; tamanha é a graça de Deus que aí se revela a ela. Preenchida disso, ela gostaria de agitar, sacudir estes seres humanos terrenos, a fim de que rompam sua superficialidade e se esforcem para já agora intuir essas graças mais intensamente do que até então.
Mas esforço inútil! O ser humano terreno tornou-se embotado demais para isso, por si mesmo. Através do mais ávido esforço, ele se tornou incapaz de fazê-lo em seus caminhos errados. Cada alma despertada no reino da matéria fina afasta-se novamente com o coração a sangrar, sabendo com profundo remorso que ela própria não foi diferente aqui na Terra e por certo também não pode esperar mais daquelas que ainda se encontram aqui.
Assim, tudo agora também se opõe em mim ao pensar que tenho de deixar divulgar a Mensagem; pois eu sei que nem um único entre os seres humanos jamais saberá realmente o que recebe com isso, quão imensa e elevada graça de Deus reside no fato de lhes ser permitido ouvi-la! E a essa ignorância, a essa indiferença, a esse querer saber melhor de tais seres humanos, devo permitir que seja oferecido algo que, em pureza, vem dos degraus do trono de Deus! Custa-me luta dentro de mim, custa-me árdua superação! Cada hora novamente!
Anos se passaram quando pela primeira vez fiquei horrorizado ao observar os espíritos humanos e vi minha conclusão sobre o destino reservado a eles de acordo com a lei primordial da Criação.
Fiquei horrorizado, porque vi que era impossível auxiliar os seres humanos de outra forma ainda, a não ser mostrando-lhes aquele caminho que eles têm de seguir para escapar da destruição.
Isso me deixou indizivelmente triste; pois pelo atual estado da humanidade só poderá haver um fim: a certeza de que a maior parte de toda a humanidade terá de perecer incondicionalmente, enquanto lhe for deixada a livre resolução para cada decisão!
Mas o livre-arbítrio de resolução nunca pode ser retirado do espírito humano de acordo com a lei da Criação! Isso reside na espécie do espírito! E nisso, portanto por si próprias, as grandes massas sucumbirão agora!
Cada resolução individual do ser humano traça-lhe os caminhos que terá de percorrer na Criação, também aqui na Terra. Os pormenores da sua profissão e da necessária vida cotidiana constituem nisso apenas coisas secundárias, que muitas vezes resultam ainda das consequências de decisões remotas e voluntárias. Contudo, somente a resolução é livre para um espírito humano! Com a resolução, começa a atuar a alavanca automática que provoca a efetivação das leis de Deus na Criação, de acordo com a espécie da resolução! Assim é o livre-arbítrio que o espírito humano possui! Ele reside somente na liberdade incondicional da resolução.
A resolução espiritual, porém, desencadeia imediatamente na Criação uma atuação automática, até então misteriosa, que, sem que o espírito humano saiba, continua a desenvolver a espécie do querer inerente à resolução até a maturação, levando com isso a um desencadeamento final, que em algum momento subitamente se apresenta, de acordo com a força da resolução original e a nutrição que tal espécie ainda recebeu através da igual espécie durante o seu percurso na Criação.
O ser humano tem então de arcar com os efeitos de cada uma de suas resoluções. Ele não pode e não deve intuir isso como injusto, pois no efeito final encontra-se sempre apenas o que estava presente na resolução. Contudo, no efeito final é atingido sempre exclusivamente o autor da resolução, ainda que esta tenha sido destinada a outrem.
Por ocasião de um efeito final, a resolução original muitas vezes há muito já fora esquecida pelo autor, seu querer e suas resoluções neste momento talvez já sejam completamente diferentes ou até mesmo contrárias às primitivas, mas as consequências das resoluções de outrora, mesmo sem o seu conhecimento, seguem calmamente seu curso automático até o fim, de acordo com a lei.
O ser humano está sempre no meio das consequências de todas as suas decisões, das quais muitas ele nem mais conhece e nas quais não mais pensa, e por isso muitas vezes as intui como injustas quando uma ou outra coisa o atinge inesperadamente como último efeito. Mas ele pode ficar tranquilo quanto a isso. Nada o atinge que ele mesmo não tenha causado em algum momento, que ele mesmo não tenha literalmente trazido à existência por alguma resolução, portanto, que tenha “colocado” na Criação para efetivar-se de acordo com as leis! Seja isso através do pensar, falar ou agir! Ele movimentou a alavanca para isso. Em tudo é necessário originalmente o seu querer, e cada querer é uma resolução!
Entretanto, por não reconhecerem as leis da Criação, os seres humanos sempre bradam sobre a injustiça e perguntam onde estaria o tão afamado livre-arbítrio do ser humano! Eruditos escrevem e falam sobre isso, enquanto na realidade tudo é tão simples! Um livre-arbítrio sempre só pode residir na capacidade da livre resolução, nunca diferentemente. E esta é e sempre será mantida ao espírito humano na Criação para o seu caminho.
Nisso ele sempre apenas esquece ou ignora um fato importante: que apesar de tudo ele é e continua sendo apenas uma criatura, um fruto desta Criação posterior, que surgiu de suas leis eternas e imutáveis e por isso também nunca pode contornar ou menosprezar essas leis! Elas se efetivam, quer ele queira ou não, quer lhe pareça apropriado ou inapropriado. Nisso ele é um nada, é como uma criança que, passeando sozinha, pode enveredar por seus caminhos de acordo com a sua vontade, ficando, porém, depois, sujeita à espécie do caminho, não importando se é fácil ou difícil de andar por ele, se conduz a um alvo belo ou a um abismo.
Com cada nova resolução de um ser humano forma-se, portanto, um novo caminho e, com isso, um novo fio no tapete do seu destino. Os caminhos antigos, porém, os até então ainda não resolvidos, continuam, apesar disso, à frente dos mais novos, até que sejam completamente percorridos. Eles não são cortados, portanto, por um novo caminho, mas têm de ser vivenciados e percorridos até o fim. Assim, caminhos antigos por vezes cruzam-se com os novos e produzem novas mudanças de rumo.
Tudo isso o ser humano tem de solucionar pela vivência, e aí se admira muitas vezes de como lhe pode advir isto ou aquilo, porque não permaneceu consciente de suas decisões anteriores, ficando, no entanto, sujeito às respectivas consequências, até que tenham se exaurido e, com isso, “extinguido”! Não podem ser eliminadas do mundo de outra forma que não seja pelo próprio gerador. Ele não pode se desviar delas, uma vez que permanecem firmemente ancoradas nele até o completo resgate.
Todas as consequências de cada resolução individual até o seu fim devem, portanto, chegar ao seu resgate, e só então desprendem-se de seu gerador e deixam de existir. Mas se os fios de novas e boas decisões cruzarem com outros ainda pendentes de antigas e más decisões, os efeitos dessas consequências antigas e más serão, pelo cruzamento com as novas e boas, correspondentemente enfraquecidos e poderão até, caso essas novas e boas decisões sejam muito fortes, ser completamente dissolvidos, de forma que as más consequências sejam resgatadas na matéria grosseira apenas simbolicamente. Também isso está totalmente de acordo com a lei, segundo a Vontade de Deus na Criação.
Tudo atua de forma viva na Criação, sem que o ser humano alguma vez consiga alterar algo nisso; pois essa é uma atuação ao redor e acima dele. Dessa maneira, ele está dentro e sob a lei da Criação.
Em minha Mensagem encontrareis o caminho para, através deste labirinto das consequências de vossas decisões, chegar com segurança às alturas luminosas!
No entanto, um grave obstáculo antepõe-se ao vosso caminho! É o obstáculo que me infundiu o horror: porque vós próprios tendes de realizar tudo isso, cada um sozinho por si próprio.
Essa condição reside na regularidade da lei do vosso livre-arbítrio para decidir e na consequente atuação automática dos acontecimentos na Criação e em vós!
O querer na resolução forma um caminho que, conforme a espécie do querer, conduz para cima ou para baixo. O querer do ser humano na atualidade, porém, vos conduz predominantemente só para baixo, e com a descida, que vós próprios nem sequer podeis perceber, diminui e se restringe, simultaneamente, a capacidade de vossa compreensão.
Os limites da compreensão, isto é, de vosso horizonte, tornam-se desta forma mais restritos, e por esse motivo imaginais estar ainda na altura de antes; pois esse limite, realmente, é para vós também a respectiva altura final! Não sois capazes de seguir um limite mais ampliado, não podeis compreender o que está acima de vosso próprio limite e, meneando a cabeça ou mesmo exaltando-vos, recusais tudo isso como sendo falso ou até inexistente.
É por isso que também não abandonais vossos erros tão facilmente! Vós bem os observais nos outros, mas não em vós. Por mais que eu vos esclareça esse fato, não o relacionais convosco. Acreditais em tudo quanto digo, enquanto isso se referir aos outros. No entanto, o que tenho a censurar em vós, aquilo que tantas vezes me desespera, não podeis compreender, porque nisso todos os limites em volta do querido “eu” já se tornaram demasiadamente estreitos! Eis aí o ponto onde ocorre tanto fracasso e onde não vos posso auxiliar; pois esses limites precisam ser rompidos por vós próprios, de dentro para fora.
E isso não é tão fácil como imaginais. Com fisionomia preocupada vos encontrais muitas vezes perante mim, com amor no coração para a grande missão, e por isso entristecidos com relação a todos aqueles que não querem ou que não podem reconhecer seus erros, e eu, eu sei que muitos desses erros que censurais severamente nos outros, por cujas ações vos desesperais, estão ancorados em muito maior grau em vós próprios. Isso é o mais terrível de tudo! E isso também está ancorado no livre-arbítrio da resolução, que deve ser mantido para vós, porque está ancorado no espiritual. Nunca poderei forçar alguém a enveredar um caminho em direção às alturas luminosas! Isso está unicamente nas mãos de cada ser humano.
Por isso mostro, advertindo, mais uma vez, este processo: a cada passo para baixo, estreitam-se ainda mais os limites de vossa capacidade de compreensão, sem que isso chegue a vossa consciência! Por isso também nunca acreditaríeis se eu vos dissesse, porque não podeis compreender, e por isso também não posso auxiliar lá onde não surja uma nova, grande e voluntária resolução nesse sentido, vinda pelo anseio ou pela fé.
Unicamente lá posso conceder a força para a vitória! A vitória sobre vós próprios, pela qual os muros e os limites estreitos serão rapidamente rompidos pelo espírito que desperta e que quer se elevar às alturas. Eu vos mostro o caminho e, havendo um querer verdadeiro, dou-vos também a força necessária para isso. Dessa maneira posso auxiliar onde existe um legítimo querer, um legítimo pedir.
Todavia, mais uma vez um obstáculo se interpõe no caminho do ser humano. Consiste no fato de que a força só pode lhe ser proveitosa quando ele não só a acolher, mas sim a utilizar corretamente! Ele próprio tem de utilizá-la de modo certo, não permitindo que nele permaneça inativa; caso contrário, ela afastar-se-á dele novamente, de volta ao ponto de partida dessa força. Assim, surge um impedimento após o outro quando um ser humano não quer sinceramente com toda a força! E apenas muito poucos estão amadurecidos para vencer esses obstáculos. A humanidade já se tornou espiritualmente indolente demais, ao passo que uma ascensão só pode ser bem-sucedida em contínua atividade e vigilância!
Natural é este acontecimento, simples e grandioso. Justiça maravilhosamente perfeita está ancorada nele!
Ser salvo sem humildade, porém, é impossível para um espírito humano! Sua presunção de saber se interpõe no caminho da verdadeira humildade. A presunção de um saber, que não é saber algum, pois em relação às capacidades, o homem é na realidade a mais bronca de todas as criaturas desta Criação posterior, porque é demasiado presunçoso para aceitar algo com humildade.
Sobre isso não há o que discutir, pois é assim de fato. Mas o ser humano não reconhece isto, não quer acreditar, também como consequência de sua presunção ilimitada, a qual é sempre apenas o produto certo da ignorância. Só a ignorância gera presunção; pois onde existe verdadeiro saber não há lugar para presunção, posto que esta só pode se originar dentro dos limites estreitos da imaginação inferior, em nenhum outro lugar.
Onde começa o saber, cessa a presunção. E uma vez que a grande maioria da humanidade hoje vive somente na presunção, não existe saber.
O ser humano perdeu completamente a noção do verdadeiro saber! Ele não sabe mais o que é saber! Não é sem razão que o conhecido dito popular é considerado como sabedoria: “Somente no saber mais elevado de um ser humano nasce a sábia convicção do fato de que nada sabe!”
Nisso reside verdade! Quando, porém, um ser humano tiver chegado a essa convicção, então se extingue nele a presunção, e a recepção do verdadeiro saber pode começar.
Todo o aprendizado adquirido por meio do estudo não tem nada a ver com saber! Um estudioso diligente pode tornar-se um erudito, porém, está ainda longe de poder ser designado sábio. É por isso que o termo ciência[1], assim como hoje ainda é utilizado, está errado. Justamente o ser humano atual pode falar de erudição, mas não de saber! O que ele aprende nas universidades é exclusivamente erudição, como aperfeiçoamento e coroação do aprendizado! É algo adquirido, não próprio! Somente o que é próprio, porém, é saber! Saber só pode se originar pela vivência, não pelos estudos!
Temos, portanto, eruditos e sábios. Os eruditos podem e devem aprender com os sábios!
Assim, indico na minha Mensagem somente o caminho para que o ser humano que o percorre chegue a obter vivências, que lhe proporcionem o saber. O ser humano precisa primeiro “vivenciar” a Criação, se ele realmente quiser saber dela. A possibilidade para o vivenciar dou-lhe através de meu saber, já que eu próprio vivencio continuamente a Criação!
[1] Trata-se aqui da palavra alemã “Wissenschaft”, traduzida como “ciência”, mas que literalmente quer dizer “ciência do conhecimento”.
